Há algum tempo eu pesquisei num site ‘a origem do meu nome’.
O site apresentava vários erros ortográficos e fazia o tipo de site infestado
de vírus, mas mesmo assim resolvi ler o que eles tinham a dizer sobre o meu
nome.
Primeiro, eles davam a origem mesmo, de qual língua nasceu
aquele nome, e essas coisas. Depois, o significado principal. Ok. Mas o que
veio depois disso tudo me irritou de verdade.
Eles começaram a
tentar adivinhar como eu sou através do nome.
Como eles vão saber como RAIOS eu sou? Existem milhares de
pessoas no mundo com o mesmo nome que o meu! E eu duvido muito que alguma delas seja parecida comigo.
Aí, começou a aparecer um treco de tarô. Eles estavam
tentando ver como eu sou através de um
jogo de tarô.
COMO ASSIM? A primeira carta falava que um dos pontos
negativos era a covardia. A outra
dizia que eu sou sortuda. E por aí
vai.
Agora eu quero que me expliquem os conceitos de sorte e
covardia.
Sorte. Uma coisa
tão vaga. Para mim, sorte e azar não existem. Eu tinha a tendência de ser
supersticiosa, mas depois de um tempo eu simplesmente parei. E a partir daí eu nunca mais entendi o que é
sorte.
Segundo as minhas crenças, nem sorte nem azar existem
realmente. Tudo que acontece na vida é por acaso. Eu também não acredito nem um pouco em destino. ‘Era o destino de Fulaninho morrer atropelado’,
‘era o destino juntando esse belo casal’... NÃO É ASSIM QUE FUNCIONA, gente. Se
Fulaninho morreu atropelado, a única coisa que fez com que isso acontecesse foi
o fato dele ter atravessado fora do sinal, ou alguma coisa assim. Não o destino.
Uma frase que mudou a minha vida, mesmo que eu tenha lido
ela num folheto preso num poste no meio da rua, é “O acaso só favorece aqueles
que possuem a mente preparada”.
Isto é, não é a sorte ou o azar que comandam a sua vida.
Tudo acontece por acaso, mesmo que este seja encaminhado para um lugar ou para
outro por você mesmo. Só o que vai decidir ‘se você vai ter sorte’ é o fato de
você estar preparado para qualquer caminho que o acaso vá.
O outro conceito aí é ‘covardia’. Esse aí todo mundo sabe: “o
covarde é aquele que tem medo de tudo, é aquele que não é corajoso, etc.”.
Eu só quero descobrir de onde eles tiraram que eu sou covarde.
Primeiramente, eu tenho medo de muitas coisas, sim. Filmes
de terror, morte, isolação... Mas isso é muito óbvio. Todo mundo, sem exceção, tem medo de alguma coisa. O medo dela pode
ser até o próprio medo, mas ela não deixa de temer algo. Isso é uma
característica humana.
Em segundo, eu sei que tem gente covarde mesmo. E, na minha nada humilde opinião,
essa covardia é muito diferente do conceito popular. Essa covardia é direcionada para aquelas
pessoas que não sabem proteger ou defender nem a quem elas amam, ou que
acreditam na quantidade, e não na qualidade, e esse tipo de coisa.
Mas eu sempre acho que isso também é meio vago. Quer dizer, tem muita gente por aí que parece
super covarde e age como tal a vida inteira, mas em um momento a coragem simplesmente...
se liberta. Acontece, sabe.
E outro fato é que covardia
é um termo muito confundido com falta
de autoconfiança. E falta de autoconfiança é uma coisa muito natural, e eu
já conheci dezenas de pessoas com pouca confiança em si mesmas, mas
extremamente corajosas. Eu mesma morro de medo de críticas, sempre acho que
estou feia, e isso, e aquilo. Mas o melhor exercício para acabar com isso é
viver. E não ligar. Quem tem que ter satisfação conosco são nós mesmos.
Por isso, eu achei essa história desse site muito babaca. O
significado do nome, tudo bem. Isso é até bem legal de ver. O problema é quando
eles tentam adivinhar a sua vida através do seu nome.
Se nem a gente se conhece direito, como raios uma pessoa (que,
cá entre nós, nem sabe escrever direito) desconhecida pode adivinhar através
das letras do nosso nome, de um joguinho de tarô ou de uns números malucos como
nós somos?
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